quinta-feira, 30 de julho de 2009





Essa semana eu quis fazer algo diferente e acabei me inscrevendo no topblog, eu ainda sou meio, para não dizer absolutamente inexperiente neste mundo de bloggers. Mas para não ficar feio, vou participar mesmo assim, como um desafio, para na medida do meu tempo que está super escasso, eu possa desenvolver alguma coisa bem legal e dar um up grade no blogger.

Vamos ver o que acontecerá.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os semelhantes se atraem

A despeito de todas as características humanas, acredito que os semelhantes se atraem, acredito em sinergia e que a lei universal trabalha para que o acaso, se transforme em providência.
E dependendo do nosso desprendimento, segundo os indianos e os judeus, as palavras e nossos pensamentos, tem um forte poder de "captar" aquilo que estamos precisando no devido momento. Não que eu seja de toda mística, mas aprendi a avaliar com exata clareza, através dos meus sentidos, que a partir das minhas próprias motivações, canalizo e mentalizo sempre que, aonde quer que eu esteja, que eu possa emanar e receber boas vibrações. Isto pode até parecer um papo "bicho grilo" ou de total loucura. Mas se pararmos para avaliar sobre o porque e para que, determinadas coisas acontecem, encontraremos algumas respostas para algumas coisas em nossas vidas sob as quais não conseguimos em primeira mão saber porque elas acontecem.
Não é destino ou "maktub" como já li, bem como alguns acreditam na racionalização para encontrar resposta. Algumas coisas simplesmente, não terão num primeiro momento uma resposta clara e pontuada em fatos. E as vezes, muito tempo depois, quando fora do contexto , é que acontece insights ou epifanias para dar direcionamento para algum acontecimento do passado.
O que importa realmente, é que as relações são permeadas em acontecimentos cotidianos, onde pode habitar desde a relações efêmeras até relações impossíveis de se transformarem em uma união estável, como é o caso de um casal amigo, que se conheceram pela rede, morando em lugares totalmente distintos, de culturas diferentes e que decidiram se conhecer , namorar e hoje são casados. Ou citar o caso curioso, da minha melhor amiga, que havia feito um intercãmbio aos 18 anos na Dinamarca e quando voltou para lá, 10 anos depois para visitar a familia que a havia hospedado, acabou conhecendo seu marido.
Eu acredito também, que todos temos uma participação na vida de cada pessoa que a gente conhece, por mais que seja por um breve momento. Sou co-participante da vida de muitas pessoas, que o cotidiano e as oportunidades me trazem. Algumas destas pessoas, me são bem especiais, com elas, tenho um elo que pelo menos para mim, não é desfeito com facilidade. Uma das melhores forças neste mundo, é o poder de você ter amigos verdadeiros, pessoas que torcem por você, que não cobram por você não aparecer, que te põe no rumo certo e que te dão um feed back quando você não segue um bom caminho também.
Eu acredito que mais vale uma repreensão franca que o amor encoberto, avalio a constância das minhas relações, não pela quantidade dos encontros que tenho, mas pela intensidade de cada encontro.
Tenho um amor e um carinho especial por alguns dele e para não ter um "clima de ciúme", eles sabem, cada um deles, na sua devida proporção, que cada um tem, um cantinho especial aqui dentro do meu coração.
Alguns me ensinaram, sem saber, grandes coisas. Alguns eu sei que vão simplismente passar por minha vida e seguirão com as deles , outros seguirão comigo, mesmo que a vida seja corrida, atribulada, cercada do cotidiano intenso que cada um tem. As vezes, me pergunto se o autor de "O pequeno príncipe" -Antoine de Saint-Exupéry, seria um fã de Jean-paul Sartre, que em seus textos com seu pensamento filosófico diz que, um homem é o principal responsável por suas escolhas e pela forma como conduz sua vida e Saint-Exupéry, em seu livro diz que "você é eternamente responsável por aquilo que cativas". Frases estas, tantas vezes usadas e confirmadas a despeito da conduta nossa de cada dia.
Sim, somos responsáveis por nossas escolhas e somos responsáveis por toda e qualquer atitude que venha partir destas mesmas escolhas. Escolhemos inclusive estar no meio de tempestades anunciadas, mesmo com todos os sentidos de alerta avisando, "mas ninguém tem o mapa da mina e a mina pode explodir".
As pessoas são sobretudo, humanas. Logo, passíveis de erros, desencontros, desajustes, escopos sociais e emocionais que não nos cabe mudar. Mesmo porque, a decisão é unicamente da pessoa. E o nosso problema maior, meu, seu e de qualquer pessoa, é que estamos cheios de expectativas de que os outros vão nos dar aquilo que precisamos e não é assim que funciona.
Primeiro, o outro dá somente aquilo que ele tem para oferecer e dá se ele quiser. Por isto, muitas vezes casamos com uma visão de que o outro vai preencher ou completar o que buscamos, só que esquecemos que muitas vezes não damos nem 100% de nós, porque vamos exigir isto, de um filho, de um pai, de uma mãe, do marido, do namorado, etc?
Segundo, Somos eternos aprendizes de um cotidiano complicado, onde muitas vezes, por insegurança, criamos uma armadura de proteção e muitas vezes, somos superficiais em nossos relacionamentos mesmos àqueles que são efêmeros e não nos deixemos ser conhecidos e nem nos permitimos nos apegar ou criar laços verdadeiros. Doamos tão somente aquilo que alimenta momentaneamente nosso ego.
Infelizmente a gente não escolhe de quem a gente vai gostar, a paixão , o amor e a felicidade são sentimentos que acontecem sem que a gente sequer perceba, mesmo quando eles são tirados de nós, permanecem as coisas boas e o aprendizado.
Infelizmente, as coisas nem sempre sairão de acordo com nossas expectativas e para que não haja frustrações e nem ilusões, aprendi uma oração da gestalt, de Frederick Perls. E é isto que tem sido já faz quase um ano, o meu tema de vida, mas ainda assim, apesar dela, eu ainda acredito na humanidade das relações, na complexa capacidade que ela envolve e que tem sido, todos os dias, em diversas situações, um grande desafio.
E para quem não conhece, segue aqui a "oração" que faço diariamente: "Eu sou eu, você é você, não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas, nem você com as minhas.
Se por acaso nos encontramos é lindo, senão, não há nada a fazer".

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Separação

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito. Mas ao chegar à porta, sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contadas nas histórias de amor, que têm um começo, um meio e quando se findam, se não de maneira dolorosa, passam a refletir a fraqueza cotidiana das relações, tão efêmeras, onde se deixa morrer ali, naquele exato instante, o que de fato os uniu e se olham como estranhos, irreconhecíveis diante do descompasso de palavras não ditas e de situações não resolvidas.
Ele a olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe ao mesmo tempo, que não fosse e que não o deixasse ir, havia ainda nele a esperança, que tudo ainda era possível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza alva, real mas já se distanciando na penumbra do ambiente que era para ele com a luz da memória, que ainda guardava o dia em que haviam se conhecido.
Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde, lembraria não recordar cor naquele momento. Lembrar-se-ia ter dito que a ausência de cores, é completa em todos os instantes de separação.
Será que era sempre assim? Tantas coisas em comum e ao mesmo tempo, tanta dor acumulada, palavras não ditas, assuntos não resolvidos, como jogados para debaixo do tapete e o amor fortuíto e divino, que se agregava ao conjunto de tantas coisas que os uniram, passou a ser considerado poeira ao vento, em instantes, dissipado. A carência crescente do não dizer "te amo"mesmo que, baixinho, como um sussurrar de brisa suave, ainda estava ali.
Onde estavam os sentimentos de não poder esperar a hora de se encontrarem, onde corações pulsantes só faltavam sair pela boca, as comemorações de fins de tarde em domingos perdidos durante uma partida de futebol, onde eles comemoravam com pipoca e refrigerante e faziam amor deliciosamente vestidos com a camisa do time, onde estava o olhar mais atento, ao subir o fecho éclair do vestido de costas nuas que ele tanto amava e sentia-se elouquecido de vontade de tirá-lo antes mesmo de saírem para algum compromisso? As risadas ecoadas pela casa, sem maquiagem, vestindo a camisa dele dois números acima, lendo um livro em cima da cama ou as flores preferidas dela, que ele mandava cada vez que comemoravam o dia especial deles ou fora dos dias também?
O namoro intenso cada vez que ele vinha ou ela ia para encontrarem-se, mesmo com tanto a dizer, a vontade e a fome eram maiores do que as palavras. O que os fizeram sentir-se tão distantes a ponto de não darem mais certo juntos, as diferenças foram maiores que o amor? O sentimento de não cumprir o prometido diante do altar se arraigou em meio às discussões que sempre terminavam ou em mágoa ou em sexo, para depois mergulhar no mais absoluto silêncio.
"Tantas palavras, num breve sussurrar", onde foram parar os momentos daquela notícia da gravidez não prevista, mas comemorada de forma tão gostosa e intensa, olhares, gestos, sorrisos, abraços longos e beijos intermináveis antes de cada momento de ir ou chegar do trabalho?
Aonde foram parar aquele olhar cúmplice de "até mais tarde lá em casa" ou aquele beijo escondido no local de trabalho dele, para relembrar e manter viva a vontade de estarem juntos debaixo do cobertor ou em plena luz do alvorecer se entregarem , para deixar o gosto e o sabor do prazer que tinham um pelo outro?
Seus olhares se encontraram por um instante, trazendo-os de volta à realidade tão latente. Depois , se acariciaram ternamente e , finalmente, viram que não havia mais nada a dizer.
Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou de um só golpe, a porta atrás de si mesmo, numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela, mas o brusco movimento prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida e ele ficou ali, retido, sem poder mover-se do lugar, sentindo o pranto formar-se em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que aquela era a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, pensou que a tivesse encontrado.
Sabia também, que o primeiro passo que desse, colocaria em movimento sua máquina de viver. E ele teria, mesmo como um autômato, sair , andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto, ali estava, a poucos passos da sua forma feminina que não era nem uma outra, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com seus beijos e agasalhara nos instantes de amor de seus corpos.
Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço, perdida em seus próprios pensamentos. De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde, na noite fria e escura, deixou que as lágrimas escorressem e em meio ao pranto tão contido diante dela, ele chorou, sem saber que ali, não tão distante, ela estava sentada no banco do carro, chorando toda a dor do amor que havia se findado.