A despeito de todas as características humanas, acredito que os semelhantes se atraem, acredito em sinergia e que a lei universal trabalha para que o acaso, se transforme em providência.
E dependendo do nosso desprendimento, segundo os indianos e os judeus, as palavras e nossos pensamentos, tem um forte poder de "captar" aquilo que estamos precisando no devido momento. Não que eu seja de toda mística, mas aprendi a avaliar com exata clareza, através dos meus sentidos, que a partir das minhas próprias motivações, canalizo e mentalizo sempre que, aonde quer que eu esteja, que eu possa emanar e receber boas vibrações. Isto pode até parecer um papo "bicho grilo" ou de total loucura. Mas se pararmos para avaliar sobre o porque e para que, determinadas coisas acontecem, encontraremos algumas respostas para algumas coisas em nossas vidas sob as quais não conseguimos em primeira mão saber porque elas acontecem.
Não é destino ou "maktub" como já li, bem como alguns acreditam na racionalização para encontrar resposta. Algumas coisas simplesmente, não terão num primeiro momento uma resposta clara e pontuada em fatos. E as vezes, muito tempo depois, quando fora do contexto , é que acontece insights ou epifanias para dar direcionamento para algum acontecimento do passado.
O que importa realmente, é que as relações são permeadas em acontecimentos cotidianos, onde pode habitar desde a relações efêmeras até relações impossíveis de se transformarem em uma união estável, como é o caso de um casal amigo, que se conheceram pela rede, morando em lugares totalmente distintos, de culturas diferentes e que decidiram se conhecer , namorar e hoje são casados. Ou citar o caso curioso, da minha melhor amiga, que havia feito um intercãmbio aos 18 anos na Dinamarca e quando voltou para lá, 10 anos depois para visitar a familia que a havia hospedado, acabou conhecendo seu marido.
Eu acredito também, que todos temos uma participação na vida de cada pessoa que a gente conhece, por mais que seja por um breve momento. Sou co-participante da vida de muitas pessoas, que o cotidiano e as oportunidades me trazem. Algumas destas pessoas, me são bem especiais, com elas, tenho um elo que pelo menos para mim, não é desfeito com facilidade. Uma das melhores forças neste mundo, é o poder de você ter amigos verdadeiros, pessoas que torcem por você, que não cobram por você não aparecer, que te põe no rumo certo e que te dão um feed back quando você não segue um bom caminho também.
Eu acredito que mais vale uma repreensão franca que o amor encoberto, avalio a constância das minhas relações, não pela quantidade dos encontros que tenho, mas pela intensidade de cada encontro.
Tenho um amor e um carinho especial por alguns dele e para não ter um "clima de ciúme", eles sabem, cada um deles, na sua devida proporção, que cada um tem, um cantinho especial aqui dentro do meu coração.
Alguns me ensinaram, sem saber, grandes coisas. Alguns eu sei que vão simplismente passar por minha vida e seguirão com as deles , outros seguirão comigo, mesmo que a vida seja corrida, atribulada, cercada do cotidiano intenso que cada um tem. As vezes, me pergunto se o autor de "O pequeno príncipe" -Antoine de Saint-Exupéry, seria um fã de Jean-paul Sartre, que em seus textos com seu pensamento filosófico diz que, um homem é o principal responsável por suas escolhas e pela forma como conduz sua vida e Saint-Exupéry, em seu livro diz que "você é eternamente responsável por aquilo que cativas". Frases estas, tantas vezes usadas e confirmadas a despeito da conduta nossa de cada dia.
Sim, somos responsáveis por nossas escolhas e somos responsáveis por toda e qualquer atitude que venha partir destas mesmas escolhas. Escolhemos inclusive estar no meio de tempestades anunciadas, mesmo com todos os sentidos de alerta avisando, "mas ninguém tem o mapa da mina e a mina pode explodir".
As pessoas são sobretudo, humanas. Logo, passíveis de erros, desencontros, desajustes, escopos sociais e emocionais que não nos cabe mudar. Mesmo porque, a decisão é unicamente da pessoa. E o nosso problema maior, meu, seu e de qualquer pessoa, é que estamos cheios de expectativas de que os outros vão nos dar aquilo que precisamos e não é assim que funciona.
Primeiro, o outro dá somente aquilo que ele tem para oferecer e dá se ele quiser. Por isto, muitas vezes casamos com uma visão de que o outro vai preencher ou completar o que buscamos, só que esquecemos que muitas vezes não damos nem 100% de nós, porque vamos exigir isto, de um filho, de um pai, de uma mãe, do marido, do namorado, etc?
Segundo, Somos eternos aprendizes de um cotidiano complicado, onde muitas vezes, por insegurança, criamos uma armadura de proteção e muitas vezes, somos superficiais em nossos relacionamentos mesmos àqueles que são efêmeros e não nos deixemos ser conhecidos e nem nos permitimos nos apegar ou criar laços verdadeiros. Doamos tão somente aquilo que alimenta momentaneamente nosso ego.
Infelizmente a gente não escolhe de quem a gente vai gostar, a paixão , o amor e a felicidade são sentimentos que acontecem sem que a gente sequer perceba, mesmo quando eles são tirados de nós, permanecem as coisas boas e o aprendizado.
Infelizmente, as coisas nem sempre sairão de acordo com nossas expectativas e para que não haja frustrações e nem ilusões, aprendi uma oração da gestalt, de Frederick Perls. E é isto que tem sido já faz quase um ano, o meu tema de vida, mas ainda assim, apesar dela, eu ainda acredito na humanidade das relações, na complexa capacidade que ela envolve e que tem sido, todos os dias, em diversas situações, um grande desafio.
E para quem não conhece, segue aqui a "oração" que faço diariamente: "Eu sou eu, você é você, não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas, nem você com as minhas.
Se por acaso nos encontramos é lindo, senão, não há nada a fazer".
Olá Cris!
ResponderExcluirAdorei ler tudo o que escreveu. Mesmo sabendo já tudo isso, mesmo passando a vida a repetir e a dizer aos outros tudo aquilo que aqui escreveu. Acho que esta é uma daquelas mensagens eternas, que temos sempre na mente, que devemos ter sempre presente, que nos obriga a ser lúcidos. Ao lê-la, revi a minha cabeça e encontrei tanta coisa. Adorei aquela passagem em que fala de co-participarmos na vida dos outros. Desde sempre vivi participando na vida de imensa gente, tanto que tornei-me especialista em reparar tristezas, em ajudar a levantar quem está por baixo. E aprendi a não esperar retorno, porque cedo descobri que uma vez recuperadas, as pessoas não lembram mais; nem seu telefone. Deixou-me encantado, deixou-me a pensar na vida. Sabe, aquele pensar que tantas vezes não queremos pensar...
Um beijo,
Alexandre Correia
PS - Escrever é meu trabalho. Cozinhar é meu refúgio. Adora poder fazer como a Cris e ser também um Personal Gourmet. Para curtir e não só...