quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A vida como ela é...

Esperou tanto tempo por aquele momento, desde os quinze anos , já sonhava em se vestir de noiva, aos poucos foi fazendo o enxoval, como quem sabe que no momento e na hora certa, aquelas toalhas tão lindas, com bordado e renda, seriam usadas, ou o jogos de cama tão cuidadosamente engomados e guardados em papéis de seda azul para que não amarelassem, afinal, não era sabido quando aquele tão sonhado momento chegaria.

Os anos foram passando, os relacionamentos foram acontecendo e um a um, de algum modo se desfaziam, como pétalas de rosas que começavam frescas e lindas das gotas de orvalho matinal e se eram jogadas como folhas ao vento, destruídas nos ímpetos das descobertas dolorosas da vida e da falta de sentimento humano. E assim, ela seguiu por uma estrada totalmente atípica, o primeiro filho chegou antes de que fosse pedida em casamento, um caos, para os idos dos anos 90, a vergonha se apossou dela de tal maneira que demorou cinco meses para contar para sua familia, veio a primeira filha e uma situação completamente avessa ao que ela queria, pois não mais amava e nem sentia a menor vontade de estar com o pai de sua filha, aliás, ia terminar o namoro assim que ele chegasse, mas ao saber da gravidez e diante da insistência de seus pais, que "eles teriam que assumir uma nova vida agora", ela por pressão, aceitou. Não durou nem dois anos, ela até que aguentou bem. Mas já sabia do fracasso antes mesmo de começarem a nova vida. Aguentou pelos pais, pela sociedade, mas ao longo do tempo, foi percebendo, que a sociedade estava se lichando para ela e ao perceber que ninguém a traria de volta ao mundo feliz que ela mesmo se via, tratou de dizer ao pai de sua filha, que não o amava mais, ficaria muito feio e ele não precisava saber que não o amava mais desde antes de saber de sua gravidez. Ao se separar, começou a mudar a vida, o cabelo e voltou a ser como sempre foi. Nada de prisões, nada de grilhões, um casamento, não é uma prisão e nem pode ser visto desta maneira, dane-se a sociedade, porque de verdade, quem vai saber como é que é estar com o outro , é só você, quem vai comer o saco de sal de junto com ele.
Uma amiga usa este ditado: "Para conhecer uma pessoa, é preciso se comer um pacote inteiro de sal com ela", eu nunca tinha entendido o ditado, até perceber que, o sal, é um dos poucos produtos que demora para acabar, se você for solteiro então, ele pode durar anos. E é com a convivência que você vai saber o teor e o sabor da pessoa que você durante o elan inicial da paixão, ficou muitas vezes cego e não percebe muitas vezes, que certos defeitos não dá para deixar pra lá.
E aí outros relacionamentos vieram, ela quase casou uma certa vez, com alguém improvável, mas que a amava e gostava do seu jeito indomável de ser. Entre eles, existia um respeito e uma cumplicidade única, mas aí a vida, faltando bem pouco tempo para se casarem, levou-o durante uma viagem rápida , mas que ali encerrou, toda uma história de quase três anos.
Ela adoeceu, perdeu o gosto pela vida, pelas cores e diante da dor da perda intensa, ela se entregou, precisando de cuidados especiais, foi onde os amigos e a família tomaram providência, para que ela fosse tratada e ela foi. E lá, tão longe de casa ela descobriu que outras pessoas eram muito mais doentes do que ela e o seu 'pequeno problema', poderia ser tratado, sendo que tinham tantos outros seres humanos, em situações muito piores do que a dela.
Ela, como a fênix, se restaurou e viu que poderia seguir adiante, construindo outra vez uma vida plena e dentro das possibilidades, feliz. Outros amores vieram, mas ela achou melhor ficar como ela estava, até que encontrou alguém especial, alguém que a fazia se sentir dez anos mais nova, mas que com toda a sua experiência, poderia acrescentar-lhe tanto. Com ele descobriu tantas coisas de si mesma, mas deveria ter-lhe dito desde o princípio que o amor era muito mais forte do que a amizade que os unia, mas para não perder o que já tinham, decidiu silenciar-se, até que quando conseguiu contar, já não havia mais nada a fazer e veio o segundo filho, não foi como planejara e ela sentia a dor da mulher que se deixa sentir todas as dores universais, quando ele se casou com outra pessoa, mas firme , seguiu adiante, encontrando novos amores, novos amigos, novidade de vida, e começou a pensar em si. Encontrou novamente a estrada para uma nova perspectiva e parou para pensar, já não era mais tão jovem, nem tão bela quanto sua mocidade, mas tinha em seu sangue a experiência e a alma lavada de tantas pesadas estradas pelas quais tinha passado e suas sandálias, ainda tinham a poeira dos desertos que tinha atravessado.
Ela ainda sonha em casar, mas com alguém que ela ame e que a ame do jeito que ela é, ainda tem um gênio indomado pelas circustâncias da vida, a decisão por sua ampulheta, precisamente observadora das muitas malícias que o ser humano em seus desdobramentos apresentam, conheceu de perto a sedução e o poder de persuasão que homens e mulheres têm para manipularem a seu favor em suas conquistas pessoais.
Aprendeu a se defender dos males, a não fazer planos, a não ser profissionais. Aprendeu a sobreviver as tempestades da vida, a ser objetiva e direta e se guiar pelo seu instinto quase sobrenatural, acha que homens e mulheres devem por si só, respeitar o espaço e a individualidade um do outro, a falarem sempre a verdade e nunca fazerem de qualquer relacionamento uma prisão, a partir do momento que vira obrigação, passa a não ser mais gostoso e nem leve.
O outro tem que se sentir à vontade para estar com você e a ser feliz com você. Quando cobramos do outro aquilo que ele não pode nos dar, temos duas opções, ou deixar como está ou permanecemos sozinhos. Ela queria viajar, conhecer o mundo e suas culturas tão adversas, estudar e continuar fazendo as coisas que ela mais amava, para ela mesma. E pensando nisto tudo, ela achou melhor ficar do jeito que ela estava, sozinha e então, não fez mais o enxoval, disse "não" ao pedido de casamento e devolveu a aliança tão linda, ( que ele não quis receber de volta), não queria ser "mãe" de mais um, já tinha seus dois filhos e descobriu que prefere mil vezes, alguém que a ponha no rumo certo e se tiver o domínio, consiga domar sua impetuosidade de mulher senhora de si, como ela sempre foi.

A sorte muitas vezes nos encontra dormindo

Se tenho sorte, eu sei que ela é meu norte, para muitas coisas que tenho conseguido até aqui,
Se eu não tenho tempo para a morte, tenho a certeza, de que ela um dia há de me encontrar, mas até lá, meus caminhos eu vou trilhando dia a dia, fazendo minhas escolhas, meus acertos, desacertos, desencontros de muitos caminhos.
Muitas vezes, percebo que se eu ando distraída, as coisas fluiem como elas têm que ser, no rio da vida, não é preciso fazer força, porque até mesmo para as águas passadas que não movem o moinho, o rio não precisa da minha ajuda, ele corre sozinho.
Posso escolher em que águas irei nadar, aonde devo pisar e se dá pé, para que eu não venha me afogar. Acontece que tenho um bote salva-vidas o tempo todo comigo e nos bolsos de minha calça de tactel, encontro também, pequenos tubinhos de cola, para as horas de perigo e também alguns sinalizadores, nos momentos de total escuridão dos mares revoltos... sorte... pura sorte... ou como bem dizem cautela de gata que não morre escaldada e nem teme mais as águas frias que a vida insiste em me derrubar.
As vezes um pouco a mais de sorte, só mostra que tudo se encaixa no devido tempo, a sorte nos dá a direção certa, muitas vezes intuitiva, de que nem sempre teremos aquilo que queremos, mas sim, aquilo que precisamos. A sorte já me tirou de muita roubada, de relacionamentos fadados ao fracasso e me guiou como um farol, para solos mais firmes e menos movediços.
Tenho sorte nas pequenas coisas e nas grandes também, ela é minha companheira até em meus momentos de solidão e silêncio. Tenho sorte até quando estou sem grana e ela sempre me aponta novos rumos de ganhar o meu pão de cada dia.
A sorte muitas vezes, se transforma em insights e me mostra o "modus operanti" daqueles que de alguma maneira cruzam o meu caminho. A sorte me faz ficar em silêncio e no silêncio perceboa teia de aranha que muitas vezes, querem me prender, mas a minha companheira diária, tem um barril de graxa e me deu um potinho para andar comigo, aonde quer que eu fosse.
A sorte muitas vezes nos encontra dormindo, que bom que estou sempre de olhos abertos, mesmo sonhando...

domingo, 2 de agosto de 2009

Paixões Gaudérias

Quando estamos em Goiânia, por incrível que possa parecer, temos automaticamente passagem linguística para o goianês-mineirístico. "Comiéquisitá" , quem quiser que decifre o que eu acabei de dizer, senão ficará muito fácil. Katy, sabedora de minhas paixões gaudérias, sabe bem que, por mais goiana que eu seja, de goiana, como eu bem disse para meus amigos, eu só herdei a beleza e claro... a modéstia! Mas do Rio grande do Sul, segundo já me contaram, parecem que incorporo uma prenda e do nada até o meu sotaque muda, mas a beleza continua. Não que no resto do Brasil, não tenham mulheres belíssimas, sim, claro que tem. Mas o Centro Cultural Masculino brasiliense, grande medidor do saber de mulheres bonitas por metro quadrado aqui, disseram-me que " Goiânia, ô lugar bom pra mais de metro pra ter mulher bonita e acessível".
Minhas amigas de Brasilia, certamente, vão me matar, mas as brasilienses são consideradas mulheres marrentas. Ainda bem que eu escapei desta, deve ser porque eu tenho alma abusolutamente gaúcha. Tanto tenho que, minha amiga Guisela, de educação germânica e gaúcha de nascimento, me disse via msn que sou mais gaúcha do que ela. Então, eu estava aqui campiando um jeito de interte-me, e lembrei que em dezembro eu vou dar uma vortiada em Porto Alegre, pensando nos amigos que tenho lá, na baita farra que será estar com cada um deles.
Tanto é verdade, que eu gosto de Kleiton & kledir, amei a série A Casa das Sete Mulheres e li todos os livros de Érico Veríssimo. E não estou ingrupindo, o amor é genuíno e pareço ter um ímã natural para este lugar e suas tradições, tão bonitas e tão cheias de se não um laço forte, intica em mim, aprender cada vez mais, a luz das coisas engraçadas que ouço, dos encontros que já tive, do mais recente momento que venho passando, das idas com a turma do Colorado, para juntos assistirmos aos jogos, é piada que não acaba mais e chego a achar uma judiaria o que eles fazem com aqueles que invadem nosso lugar comum e são gremistas.
Adoro como eles falam bem alto indignados, "Capaz!" ou então "Bah, guria que função!" que para quem não conhece, parece uma bronca ou briga. O Sul, tem além de tudo o que há de melhor, a cerveja que até onde eu sei, me corrijam se eu estiver errada, que não é exportada, a POLAR, uma multipluralidade de regiões e colonizações e foi lá, que eu descobri a quase três anos atrás que eu estava grávida do meu filho Guilherme.
Sobre paixões Gaudérias, o ímã é tão forte, que eu amo ir uma vez por mês, no Costelão, ouço o programa Sala de Redação, da rádio gaúcha, adoro a Expochê, tradicional feira gaúcha que acontece aqui em Brasília, todos os anos. Este ano, bati o meu record, fui três vezes. E aonde quer que eu vá, principalmente vestida com a segunda pele, minha linda blusa dourada do inter , tem sempre um colorado que me cumprimenta e um gremista que me diz eu torço pro time errado, fazer o que não é?
Em comum com o gauchês, tão peculiar e tão criativo, tenho como goiana de nascimento, a única palavra que é sinalêra, sem graça até, perto da palavra que só é bem comum lá no sul, que é brigadiano e uma expressão recém aprendida, numa conversa com um amigo: "bater cola" = passear toda feliz ou faceira".
E foi com os gaúchos que aprendi a fazer o melhor carreteiro que eu já fiz desde um tempo e tão bem aplicado no almoço em Goiânia na casa das primas no fim de semana, que não deu para quem quis. Sobre paixões gaudérias, me lembrei do quão eles sabem cuidar bem de suas prendas e de todas as outras também, mas o que é mais inacreditável, é que fico admirada por tantas coisas que são bem típicas dos gaúchos. Então katy, quero te dizer que não é apenas paixão, é amor mesmo, um amor que eu só vou parar de ter como bem diz a música nova do kleiton & Kledir, eu só vou parar quando a brigada, me der voz de prisão.

quinta-feira, 30 de julho de 2009





Essa semana eu quis fazer algo diferente e acabei me inscrevendo no topblog, eu ainda sou meio, para não dizer absolutamente inexperiente neste mundo de bloggers. Mas para não ficar feio, vou participar mesmo assim, como um desafio, para na medida do meu tempo que está super escasso, eu possa desenvolver alguma coisa bem legal e dar um up grade no blogger.

Vamos ver o que acontecerá.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os semelhantes se atraem

A despeito de todas as características humanas, acredito que os semelhantes se atraem, acredito em sinergia e que a lei universal trabalha para que o acaso, se transforme em providência.
E dependendo do nosso desprendimento, segundo os indianos e os judeus, as palavras e nossos pensamentos, tem um forte poder de "captar" aquilo que estamos precisando no devido momento. Não que eu seja de toda mística, mas aprendi a avaliar com exata clareza, através dos meus sentidos, que a partir das minhas próprias motivações, canalizo e mentalizo sempre que, aonde quer que eu esteja, que eu possa emanar e receber boas vibrações. Isto pode até parecer um papo "bicho grilo" ou de total loucura. Mas se pararmos para avaliar sobre o porque e para que, determinadas coisas acontecem, encontraremos algumas respostas para algumas coisas em nossas vidas sob as quais não conseguimos em primeira mão saber porque elas acontecem.
Não é destino ou "maktub" como já li, bem como alguns acreditam na racionalização para encontrar resposta. Algumas coisas simplesmente, não terão num primeiro momento uma resposta clara e pontuada em fatos. E as vezes, muito tempo depois, quando fora do contexto , é que acontece insights ou epifanias para dar direcionamento para algum acontecimento do passado.
O que importa realmente, é que as relações são permeadas em acontecimentos cotidianos, onde pode habitar desde a relações efêmeras até relações impossíveis de se transformarem em uma união estável, como é o caso de um casal amigo, que se conheceram pela rede, morando em lugares totalmente distintos, de culturas diferentes e que decidiram se conhecer , namorar e hoje são casados. Ou citar o caso curioso, da minha melhor amiga, que havia feito um intercãmbio aos 18 anos na Dinamarca e quando voltou para lá, 10 anos depois para visitar a familia que a havia hospedado, acabou conhecendo seu marido.
Eu acredito também, que todos temos uma participação na vida de cada pessoa que a gente conhece, por mais que seja por um breve momento. Sou co-participante da vida de muitas pessoas, que o cotidiano e as oportunidades me trazem. Algumas destas pessoas, me são bem especiais, com elas, tenho um elo que pelo menos para mim, não é desfeito com facilidade. Uma das melhores forças neste mundo, é o poder de você ter amigos verdadeiros, pessoas que torcem por você, que não cobram por você não aparecer, que te põe no rumo certo e que te dão um feed back quando você não segue um bom caminho também.
Eu acredito que mais vale uma repreensão franca que o amor encoberto, avalio a constância das minhas relações, não pela quantidade dos encontros que tenho, mas pela intensidade de cada encontro.
Tenho um amor e um carinho especial por alguns dele e para não ter um "clima de ciúme", eles sabem, cada um deles, na sua devida proporção, que cada um tem, um cantinho especial aqui dentro do meu coração.
Alguns me ensinaram, sem saber, grandes coisas. Alguns eu sei que vão simplismente passar por minha vida e seguirão com as deles , outros seguirão comigo, mesmo que a vida seja corrida, atribulada, cercada do cotidiano intenso que cada um tem. As vezes, me pergunto se o autor de "O pequeno príncipe" -Antoine de Saint-Exupéry, seria um fã de Jean-paul Sartre, que em seus textos com seu pensamento filosófico diz que, um homem é o principal responsável por suas escolhas e pela forma como conduz sua vida e Saint-Exupéry, em seu livro diz que "você é eternamente responsável por aquilo que cativas". Frases estas, tantas vezes usadas e confirmadas a despeito da conduta nossa de cada dia.
Sim, somos responsáveis por nossas escolhas e somos responsáveis por toda e qualquer atitude que venha partir destas mesmas escolhas. Escolhemos inclusive estar no meio de tempestades anunciadas, mesmo com todos os sentidos de alerta avisando, "mas ninguém tem o mapa da mina e a mina pode explodir".
As pessoas são sobretudo, humanas. Logo, passíveis de erros, desencontros, desajustes, escopos sociais e emocionais que não nos cabe mudar. Mesmo porque, a decisão é unicamente da pessoa. E o nosso problema maior, meu, seu e de qualquer pessoa, é que estamos cheios de expectativas de que os outros vão nos dar aquilo que precisamos e não é assim que funciona.
Primeiro, o outro dá somente aquilo que ele tem para oferecer e dá se ele quiser. Por isto, muitas vezes casamos com uma visão de que o outro vai preencher ou completar o que buscamos, só que esquecemos que muitas vezes não damos nem 100% de nós, porque vamos exigir isto, de um filho, de um pai, de uma mãe, do marido, do namorado, etc?
Segundo, Somos eternos aprendizes de um cotidiano complicado, onde muitas vezes, por insegurança, criamos uma armadura de proteção e muitas vezes, somos superficiais em nossos relacionamentos mesmos àqueles que são efêmeros e não nos deixemos ser conhecidos e nem nos permitimos nos apegar ou criar laços verdadeiros. Doamos tão somente aquilo que alimenta momentaneamente nosso ego.
Infelizmente a gente não escolhe de quem a gente vai gostar, a paixão , o amor e a felicidade são sentimentos que acontecem sem que a gente sequer perceba, mesmo quando eles são tirados de nós, permanecem as coisas boas e o aprendizado.
Infelizmente, as coisas nem sempre sairão de acordo com nossas expectativas e para que não haja frustrações e nem ilusões, aprendi uma oração da gestalt, de Frederick Perls. E é isto que tem sido já faz quase um ano, o meu tema de vida, mas ainda assim, apesar dela, eu ainda acredito na humanidade das relações, na complexa capacidade que ela envolve e que tem sido, todos os dias, em diversas situações, um grande desafio.
E para quem não conhece, segue aqui a "oração" que faço diariamente: "Eu sou eu, você é você, não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas, nem você com as minhas.
Se por acaso nos encontramos é lindo, senão, não há nada a fazer".

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Separação

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito. Mas ao chegar à porta, sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contadas nas histórias de amor, que têm um começo, um meio e quando se findam, se não de maneira dolorosa, passam a refletir a fraqueza cotidiana das relações, tão efêmeras, onde se deixa morrer ali, naquele exato instante, o que de fato os uniu e se olham como estranhos, irreconhecíveis diante do descompasso de palavras não ditas e de situações não resolvidas.
Ele a olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe ao mesmo tempo, que não fosse e que não o deixasse ir, havia ainda nele a esperança, que tudo ainda era possível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza alva, real mas já se distanciando na penumbra do ambiente que era para ele com a luz da memória, que ainda guardava o dia em que haviam se conhecido.
Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde, lembraria não recordar cor naquele momento. Lembrar-se-ia ter dito que a ausência de cores, é completa em todos os instantes de separação.
Será que era sempre assim? Tantas coisas em comum e ao mesmo tempo, tanta dor acumulada, palavras não ditas, assuntos não resolvidos, como jogados para debaixo do tapete e o amor fortuíto e divino, que se agregava ao conjunto de tantas coisas que os uniram, passou a ser considerado poeira ao vento, em instantes, dissipado. A carência crescente do não dizer "te amo"mesmo que, baixinho, como um sussurrar de brisa suave, ainda estava ali.
Onde estavam os sentimentos de não poder esperar a hora de se encontrarem, onde corações pulsantes só faltavam sair pela boca, as comemorações de fins de tarde em domingos perdidos durante uma partida de futebol, onde eles comemoravam com pipoca e refrigerante e faziam amor deliciosamente vestidos com a camisa do time, onde estava o olhar mais atento, ao subir o fecho éclair do vestido de costas nuas que ele tanto amava e sentia-se elouquecido de vontade de tirá-lo antes mesmo de saírem para algum compromisso? As risadas ecoadas pela casa, sem maquiagem, vestindo a camisa dele dois números acima, lendo um livro em cima da cama ou as flores preferidas dela, que ele mandava cada vez que comemoravam o dia especial deles ou fora dos dias também?
O namoro intenso cada vez que ele vinha ou ela ia para encontrarem-se, mesmo com tanto a dizer, a vontade e a fome eram maiores do que as palavras. O que os fizeram sentir-se tão distantes a ponto de não darem mais certo juntos, as diferenças foram maiores que o amor? O sentimento de não cumprir o prometido diante do altar se arraigou em meio às discussões que sempre terminavam ou em mágoa ou em sexo, para depois mergulhar no mais absoluto silêncio.
"Tantas palavras, num breve sussurrar", onde foram parar os momentos daquela notícia da gravidez não prevista, mas comemorada de forma tão gostosa e intensa, olhares, gestos, sorrisos, abraços longos e beijos intermináveis antes de cada momento de ir ou chegar do trabalho?
Aonde foram parar aquele olhar cúmplice de "até mais tarde lá em casa" ou aquele beijo escondido no local de trabalho dele, para relembrar e manter viva a vontade de estarem juntos debaixo do cobertor ou em plena luz do alvorecer se entregarem , para deixar o gosto e o sabor do prazer que tinham um pelo outro?
Seus olhares se encontraram por um instante, trazendo-os de volta à realidade tão latente. Depois , se acariciaram ternamente e , finalmente, viram que não havia mais nada a dizer.
Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou de um só golpe, a porta atrás de si mesmo, numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela, mas o brusco movimento prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida e ele ficou ali, retido, sem poder mover-se do lugar, sentindo o pranto formar-se em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que aquela era a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, pensou que a tivesse encontrado.
Sabia também, que o primeiro passo que desse, colocaria em movimento sua máquina de viver. E ele teria, mesmo como um autômato, sair , andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto, ali estava, a poucos passos da sua forma feminina que não era nem uma outra, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com seus beijos e agasalhara nos instantes de amor de seus corpos.
Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço, perdida em seus próprios pensamentos. De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde, na noite fria e escura, deixou que as lágrimas escorressem e em meio ao pranto tão contido diante dela, ele chorou, sem saber que ali, não tão distante, ela estava sentada no banco do carro, chorando toda a dor do amor que havia se findado.

sábado, 20 de junho de 2009

Candanga de alma gaúcha e colorada


Eu sempre fui apaixonada pelo Rio Grande do Sul, por diversas razões.

Meu ex sogro, já falecido, foi Deputado Federal pelo PDT, foi amigo de Jango e do Brizola. Me contava histórias fantásticas, dos tempos da ditatura, de como ele começou na política no sul e sobre como era o Rio Grande do Sul. Com ele aprendi a valorizar muitas coisas e apreciar o jeito gaúcho de ser. Eu passava horas conversando com ele, sobre política, tradições e volta e meia sobre futebol.

Acabei me tornando membro da família e consequentemente, passei a ir volta e meia, ao CTG, eu amo e sempre que dá oportunidade eu vou lá. Ao longo deste tempo, a vida me colocou no caminho, vários amigos do Sul. A facilidade com que me sinto à vontade no meio do povo gaúcho é de impressionar. Alguns deles, sem tirar o mérito dos demais, eu tenho um carinho e um amor todo especial, como é o caso da Katy, que durante um tempo, me deu o prazer de conhece-la e de com sua alegria gauchesca, me levar de vez a amar aquele estado. Katy voltou pro Sul, mas deixa saudades das nossas longas conversas, das nossas idas para o Empório Santo Antônio e dos nossos Happy hours só para mulheres. Foi amor e empatia à primeira vista e ela sabe o quanto a amo, apesar da distância. E se eu nunca disse isto para ela, digo agora. Katy, tu bem sabes que te amo e que para mim, tu és toda especial né guria? Gizela, outra figura cravada no meu coração, está do outro lado do Atlântico, em Moçambique, vivendo o que eu chamo de a maior loucura da vida dela. Mulher fantástica, gaúcha e de uma presença inesquecivel,assim como a Katy.

Aliás, com a Katy fui apresentada a novos amigos, que eu guardo também no coração, como o Nil e o Sid, que vieram para um congresso aqui na capital federal e saíram daqui meus amigos. Amo o Nil também e foi com ele que o interesse em acompanhar o Colorado começou (a Katy vai me matar e talvez nunca mais falar comigo hahahah!) Mas preciso dizer, realmente o Nil tem razão e por último, o "destino" me apresentou boas razões para eu olhar mais atentamente para o Internacional e olha que eu nunca fui de ficar diante da TV para assistir uma partida de futebol, não é porque eu não goste, mas na Copa do Mundo de 1994, eu passei tão mal, mas tão mal,que prometi que nunca mais iria ficar daquele jeito haha!
Como eu sofria nos jogos, é... eu fico muito nervosa! Fico brava, xingo o juiz, grito, é um trem para ter quase um ataque cardíaco. E se o time perde então, eu choro... deve ser normal isto né? rs...rs... alma torcedora.

E aí com um certo amigo querido, passei a acompanhar mais o time colorado pelo site oficial, a ler o jonal zero hora, a olhar mais atentamente o que eu chamo de amor imediato.

No meu caso, foi como água fria que vai entrando em ebulição e passei a perceber e notar que o time do INTERNACIONAL, é um SENHOR TIME. Como disse o Diogo Olivier, no seu comentário no Zero Hora, lembraram os Espartanos quando lutaram contra a Pérsia , hoje, Iran.
O jogo de quarta-feira passada em São Paulo, quase me levou ao infarte. Taison ficou de frente pro crime e o Felipe estava lá... desgraçado! O Magrão perdeu um gol feito de cabeça, não deu pra entender aquilo, mas vi que Taison parecia um gigante no campo, lutou, lutou até o final... e como ele bem disse em entrevista: "perdemos, mas não acabou".

E aí ontem, enquanto eu estava aqui passando meu momento de luta pessoal, acabei me associando ao FÃ CLUBE SPORT CLUB INTERNACIONAL, e sou a mais nova sócia do club, "pagando meu dízimo", como bem disse o amigo querido, para tristeza dos amigos gremistas (como a katy e toda a familia dela).

E como já canta Fafá de belém: "Meu coração é vermelho, de vermelho pinto o meu coração".

E agora, eu abraço esta bandeira tão vermelha, que tem tudo a ver com o meu momento de lutar e ser forte, como os espartanos foram e para quem não sabe, as mulheres espartanas também eram preparadas para a guerra e para serem fortes.


Então no dia 1 de julho, lá no Beira-rio, a conversa será outra, a gente vai estar em casa, vai estar de volta o KLEBER, o NILMAR, até lá o D´ALESSANDRO já vai estar em ponto de bala e claro, vai ter o TAISON .Eu bem que queria estar presente, mas infelizmente não vou poder estar lá, mas estarei em casa , grudada na TV, "vestindo a camisa" e mentalmente gritando: "êêê, vamos, vamos Inter!!" junto com o Nil, com o amigo querido, Seu Lauro e todos os demais apaixonados por este que é certamente o MELHOR DO MUNDO!! E o Beira-rio vai tremer!!!

Saudações Coloradas!!