Se tenho sorte, eu sei que ela é meu norte, para muitas coisas que tenho conseguido até aqui,
Se eu não tenho tempo para a morte, tenho a certeza, de que ela um dia há de me encontrar, mas até lá, meus caminhos eu vou trilhando dia a dia, fazendo minhas escolhas, meus acertos, desacertos, desencontros de muitos caminhos.
Muitas vezes, percebo que se eu ando distraída, as coisas fluiem como elas têm que ser, no rio da vida, não é preciso fazer força, porque até mesmo para as águas passadas que não movem o moinho, o rio não precisa da minha ajuda, ele corre sozinho.
Posso escolher em que águas irei nadar, aonde devo pisar e se dá pé, para que eu não venha me afogar. Acontece que tenho um bote salva-vidas o tempo todo comigo e nos bolsos de minha calça de tactel, encontro também, pequenos tubinhos de cola, para as horas de perigo e também alguns sinalizadores, nos momentos de total escuridão dos mares revoltos... sorte... pura sorte... ou como bem dizem cautela de gata que não morre escaldada e nem teme mais as águas frias que a vida insiste em me derrubar.
As vezes um pouco a mais de sorte, só mostra que tudo se encaixa no devido tempo, a sorte nos dá a direção certa, muitas vezes intuitiva, de que nem sempre teremos aquilo que queremos, mas sim, aquilo que precisamos. A sorte já me tirou de muita roubada, de relacionamentos fadados ao fracasso e me guiou como um farol, para solos mais firmes e menos movediços.
Tenho sorte nas pequenas coisas e nas grandes também, ela é minha companheira até em meus momentos de solidão e silêncio. Tenho sorte até quando estou sem grana e ela sempre me aponta novos rumos de ganhar o meu pão de cada dia.
A sorte muitas vezes, se transforma em insights e me mostra o "modus operanti" daqueles que de alguma maneira cruzam o meu caminho. A sorte me faz ficar em silêncio e no silêncio perceboa teia de aranha que muitas vezes, querem me prender, mas a minha companheira diária, tem um barril de graxa e me deu um potinho para andar comigo, aonde quer que eu fosse.
A sorte muitas vezes nos encontra dormindo, que bom que estou sempre de olhos abertos, mesmo sonhando...
Olá Cris,
ResponderExcluirQue sorte que se sinta com tanta sorte! E é uma sorte ler estes pensamentos, tão sentidos, tão sinceros, tão correctos. Fala que a sorte muitas vezes nos apanha dormindo, mas que está sempre de olhos abertos, mesmo sonhando. Sonhar, de olhar abertos, é um dos prazeres bons da vida. Quando a nossa disposição somente se foca nas coisas boas e nos traz à memória imagens deliciosas. E é tão bom saber que estamos a sonhar porque queremos, mas sentimos os pés bem assentes na terra, como também diz. Diz-se tanta coisa... Por exemplo, que não há bem que dure sempre nem mal que nunca acabe. Ao ler o que escreveu sobre a sorte, mesmo que eu continue a achar que sorte ou azar são coisas tão relativas que é difícil estabelecer o que realmente é sorte ou azar, dei comigo a pensar que talvez tenha razão. E aí tenho de admitir que também já tenho tido dessas sortes; de não ser mais roubado, de perceber quando chega ao fim um relacionamento fracassado, até tenho tido a sorte de acabar sempre encontrando aquilo que preciso, mesmo que isso não seja necessariamente o que eu gostava de ter. Que sorte!
Um beijo,
Alexandre Correia
PS - E mais uma vez, parabéns. Devia escrever mais. É um prazer ler os seus textos!