quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A vida como ela é...

Esperou tanto tempo por aquele momento, desde os quinze anos , já sonhava em se vestir de noiva, aos poucos foi fazendo o enxoval, como quem sabe que no momento e na hora certa, aquelas toalhas tão lindas, com bordado e renda, seriam usadas, ou o jogos de cama tão cuidadosamente engomados e guardados em papéis de seda azul para que não amarelassem, afinal, não era sabido quando aquele tão sonhado momento chegaria.

Os anos foram passando, os relacionamentos foram acontecendo e um a um, de algum modo se desfaziam, como pétalas de rosas que começavam frescas e lindas das gotas de orvalho matinal e se eram jogadas como folhas ao vento, destruídas nos ímpetos das descobertas dolorosas da vida e da falta de sentimento humano. E assim, ela seguiu por uma estrada totalmente atípica, o primeiro filho chegou antes de que fosse pedida em casamento, um caos, para os idos dos anos 90, a vergonha se apossou dela de tal maneira que demorou cinco meses para contar para sua familia, veio a primeira filha e uma situação completamente avessa ao que ela queria, pois não mais amava e nem sentia a menor vontade de estar com o pai de sua filha, aliás, ia terminar o namoro assim que ele chegasse, mas ao saber da gravidez e diante da insistência de seus pais, que "eles teriam que assumir uma nova vida agora", ela por pressão, aceitou. Não durou nem dois anos, ela até que aguentou bem. Mas já sabia do fracasso antes mesmo de começarem a nova vida. Aguentou pelos pais, pela sociedade, mas ao longo do tempo, foi percebendo, que a sociedade estava se lichando para ela e ao perceber que ninguém a traria de volta ao mundo feliz que ela mesmo se via, tratou de dizer ao pai de sua filha, que não o amava mais, ficaria muito feio e ele não precisava saber que não o amava mais desde antes de saber de sua gravidez. Ao se separar, começou a mudar a vida, o cabelo e voltou a ser como sempre foi. Nada de prisões, nada de grilhões, um casamento, não é uma prisão e nem pode ser visto desta maneira, dane-se a sociedade, porque de verdade, quem vai saber como é que é estar com o outro , é só você, quem vai comer o saco de sal de junto com ele.
Uma amiga usa este ditado: "Para conhecer uma pessoa, é preciso se comer um pacote inteiro de sal com ela", eu nunca tinha entendido o ditado, até perceber que, o sal, é um dos poucos produtos que demora para acabar, se você for solteiro então, ele pode durar anos. E é com a convivência que você vai saber o teor e o sabor da pessoa que você durante o elan inicial da paixão, ficou muitas vezes cego e não percebe muitas vezes, que certos defeitos não dá para deixar pra lá.
E aí outros relacionamentos vieram, ela quase casou uma certa vez, com alguém improvável, mas que a amava e gostava do seu jeito indomável de ser. Entre eles, existia um respeito e uma cumplicidade única, mas aí a vida, faltando bem pouco tempo para se casarem, levou-o durante uma viagem rápida , mas que ali encerrou, toda uma história de quase três anos.
Ela adoeceu, perdeu o gosto pela vida, pelas cores e diante da dor da perda intensa, ela se entregou, precisando de cuidados especiais, foi onde os amigos e a família tomaram providência, para que ela fosse tratada e ela foi. E lá, tão longe de casa ela descobriu que outras pessoas eram muito mais doentes do que ela e o seu 'pequeno problema', poderia ser tratado, sendo que tinham tantos outros seres humanos, em situações muito piores do que a dela.
Ela, como a fênix, se restaurou e viu que poderia seguir adiante, construindo outra vez uma vida plena e dentro das possibilidades, feliz. Outros amores vieram, mas ela achou melhor ficar como ela estava, até que encontrou alguém especial, alguém que a fazia se sentir dez anos mais nova, mas que com toda a sua experiência, poderia acrescentar-lhe tanto. Com ele descobriu tantas coisas de si mesma, mas deveria ter-lhe dito desde o princípio que o amor era muito mais forte do que a amizade que os unia, mas para não perder o que já tinham, decidiu silenciar-se, até que quando conseguiu contar, já não havia mais nada a fazer e veio o segundo filho, não foi como planejara e ela sentia a dor da mulher que se deixa sentir todas as dores universais, quando ele se casou com outra pessoa, mas firme , seguiu adiante, encontrando novos amores, novos amigos, novidade de vida, e começou a pensar em si. Encontrou novamente a estrada para uma nova perspectiva e parou para pensar, já não era mais tão jovem, nem tão bela quanto sua mocidade, mas tinha em seu sangue a experiência e a alma lavada de tantas pesadas estradas pelas quais tinha passado e suas sandálias, ainda tinham a poeira dos desertos que tinha atravessado.
Ela ainda sonha em casar, mas com alguém que ela ame e que a ame do jeito que ela é, ainda tem um gênio indomado pelas circustâncias da vida, a decisão por sua ampulheta, precisamente observadora das muitas malícias que o ser humano em seus desdobramentos apresentam, conheceu de perto a sedução e o poder de persuasão que homens e mulheres têm para manipularem a seu favor em suas conquistas pessoais.
Aprendeu a se defender dos males, a não fazer planos, a não ser profissionais. Aprendeu a sobreviver as tempestades da vida, a ser objetiva e direta e se guiar pelo seu instinto quase sobrenatural, acha que homens e mulheres devem por si só, respeitar o espaço e a individualidade um do outro, a falarem sempre a verdade e nunca fazerem de qualquer relacionamento uma prisão, a partir do momento que vira obrigação, passa a não ser mais gostoso e nem leve.
O outro tem que se sentir à vontade para estar com você e a ser feliz com você. Quando cobramos do outro aquilo que ele não pode nos dar, temos duas opções, ou deixar como está ou permanecemos sozinhos. Ela queria viajar, conhecer o mundo e suas culturas tão adversas, estudar e continuar fazendo as coisas que ela mais amava, para ela mesma. E pensando nisto tudo, ela achou melhor ficar do jeito que ela estava, sozinha e então, não fez mais o enxoval, disse "não" ao pedido de casamento e devolveu a aliança tão linda, ( que ele não quis receber de volta), não queria ser "mãe" de mais um, já tinha seus dois filhos e descobriu que prefere mil vezes, alguém que a ponha no rumo certo e se tiver o domínio, consiga domar sua impetuosidade de mulher senhora de si, como ela sempre foi.

Um comentário:

  1. Olá Cris,

    A vida como ela é... Assim mesmo, cheia de tempestades, de bonança, de sucessos, de contrariedades, momentos felizes, outros nem por isso, ilusão, decepção, amor e traição. Até paixão e elevação. A vida nem sempre é fácil, mas é assim que ela é. Há que mantermo-nos serenos, para que cada novo dia nos desperte o entusiasmo de vivê-lo plenamente, para que dia após dias consigamos aprender algo de novo, para que valha a pena. Ontem já foi, amanhã logo se verá. Concentremo-nos, pois, no "hoje" que todos os dias se repete, bem acordados para não repetirmos os dias de que não gostámos, e suficientemente tranquilos para não querermos antecipar o amanhã, quando o "hoje" não nos corre bem. Mas quem escreve assim como a Cris escreveu, já sabe isto tudo. E sabe o que já não quer mais na sua vida...

    Um beijo,

    Alex

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