quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sherazade & Don Juan

Ela pensou sobre as longas horas que passou, sob o sol forte daquela privamera tão quente, que de primavera só havia o nome, que teria ainda um longo tempo de caminhada até chegar ao seu destino. Olhou para o horizonte, viu que ainda tinha muito que caminhar. Não era preciso nada mais do que algum pouco mais de ânimo e que , quem sabe, com um pouco de sorte, ali naquela estrada deserta, haveria de passar algum transporte. Mas ela sorriu pensando consigo, que ainda assim , tanto tempo depois, ela ainda amava uma boa aventura. Ficou agradecida que ainda que estivesse sol, um vento forte bagunçava-lhe os longos cabelos negros.
Havia descido há algumas horas na estação de trem, mas sabia que teria que andar para chegar até o destino final. E então, sob o sol escaldante daquela tarde, ela ao olhar para trás, viu que ao longe vinha um ônibus, decidiu continuar caminhando, saberia que uma hora ele haveria de passar por ela.
Lamentou não ter um chápeu em mãos para poder protegê-la , mas estava feliz por seu cantil ainda estar bem abastecido, sorveu um bom gole d´água e enxugou a boca com as costas da mão. E sob os óculos de sol, sentiu que o ônibus se aproximava e assim que o mesmo se aproximou mais dela, ela estendeu a mão , perguntando ao motorista para onde eles estariam indo, quando ele falou a direção, ela se sentiu satisfeita e subiu , havia ao fundo um lugar, onde ela se sentou e ficou agradecida por ser na janela, ficou imersa em seus pensamentos, aquela era senão a melhor viagem, daria uma boa história.
Olhou os casebres surgindo ao longe e notou que as pessoas no ônibus a olhavam com uma certa curiosidade. Sorriu consigo, pensando: "eles devem estar pensando, o que uma mulher de pele tão alva de traços tão diferente dos deles, eestaria fazendo no meio daquele lugar, onde quase nada havia, a não ser cactos e plantações de agave tequilana, a matéria prima da Tequila. Olhava para aquelas pequenas casas, com seus tão pitorescos personagens, homens com sobreros tão grandes que davam a impressão de que iam a qualquer momento, tombar para trás. Mulheres carregando Jarros de barro na cabeça, levando água para suas casas, crianças brincando e correndo pelo vale.
E então, começou a avistar Villas e quando chegou a última villa, pediu ao motorista que parasse, pois desceria ali. Ela sempre ficava encantada com aquela fonte logo ali , à entrada do portão, de grades tão bem trabalhadas com seus desenhos coloniais e ao passar pelo portão, viu aquele caminho de pedras tão bem encaixados, com seus jardins e caramanchões tão bem feitos com suas flores tão lindas, com seus multicoloridos lírios, rosas, angélicas, orquidéas, flores do campo, de um perfume tão suave, que a fez parar por alguns breves momentos ali, naqueles jardins tão bem cuidados e cercados de flores para todos os lados, fontes rodeavam quase toda a propriedade, com suas esculturas tão bem feitas, de querubins e a Deusa Afrodite, como um símbolo tão peculiar ao dono daquele lugar, ao passar pela porta, foi recebida por um modormo bem vestido, que lhe ofereceu um suco bem gelado, ao que ela aceitou de bom grado.
Enquanto reparava naquela imensa sala, olhou em direção ao quadro, colocado ao alto e sorriu diante da imagem que seus olhos admiravam. Então, enquanto se via ali distraída, veio a criada de casa que a tirou de seus pensamentos:
_ " Senhora, Don Juan está à sua espera em seu escritório"
_ " Obrigada Flora" - Sherazade sorriu e subiu as escadas, tirou a mochila das costas e quando entrou no escritório, viu aquele homem alto, lindo olhando para ela de braços abertos, com todo aquele sorriso que ainda , todas as vezes que ela voltava de alguma viagem, faziam-na derreter, como desde o primeiro encontro.
- "Olá minha bela , preciosa e amada esposa". E quando ela se aconchegou naqueles braços tão fortes, se sentiu a mais feliz das mulheres, nenhuma aventura era mais deliciosa, do que voltar para os braços de seu marido.
- " Olá meu amor, não via a hora de voltar para casa" . Desde a morte de Schahriar, rei da Pérsia, seu marido, achava que não iria encontrar mais a felicidade. Até que Don Juan apareceu naquele palácio, confinado junto ao harém do irmão do rei Schahriar. A esposa do novo rei, havia levado Don Juan para o palácio, afim de que ele se tornasse seu amante, mas Zherazade sabia que se o irmão de seu falecido marido soubesse, mataria Don Juan e então, assim como em seus contos , ela criou toda uma aventura, afim de que Don Juan escapasse de tão cruel destino, vestiu-se de homem da guarda real e fez Don Juan entrar em um tonel de especiarias e junto com outros soldados carregou-o para o navio da expedição de um explorador famoso, para terras do ocidente.
E então, em uma noite, após o navio chegar ao local de destino, enquanto todos dormiam, Sherazade e Don Juan conseguiram sair, sem que ninguém visse e foram para as terras onde Don Juan havia nascido, o México.
Ali , ele mostrou para ela o seu mundo, tão fascinante e tão aventureiro e intenso quanto o dela, ali eles se apaixonaram e tempos depois, vieram a se casar. Ele era um importante empresário no ramo de vinhos e tequila e ela uma renomada romancista e sempre que havia um lançamento novo de um livro em algum lugar do mundo, ela precisava sempre se ausentar, gostava de cultivar as coisas simples da vida e gostava também do anomimato, dizia que a vida era sempre uma deliciosa e intensa aventura, andar por lugares onde não conhecia e prefiria sempre a vida discreta e reservada, naquele lugar que construiram com tanto amor e dedicação.
Sorriu ao se lembrar dos filhos, Ana maria e Juan jr e perguntou ao marido, aonde eles estariam aquela hora , numa casa tão quieta.
- "Elas estão em aula com Dona Maria Júlia".
- Ah, então teremos tempo para estarmos a sós " Disse ela provocando-o , ao que ele a beijou e pegou-a no colo e assim foi com ela, para o quarto deles, queria saber tudo sobre a viagem, mas não agora, haveria muitas noites para que ela lhe contasse.

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